A PROFECIA DAS SETENTA SEMANAS [Livro do Profeta Daniel]

 
A PROFECIA DAS SETENTA 

SEMANAS 




No Livro do Profeta Daniel, no capítulo 9, encontramos a profecia das setenta semanas, cujo significado o Anjo foi enviado a ele para explicar.  Eis o texto:

Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos. E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações. E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador.   (Daniel 9:24-27)

A interpretação dessa profecia no meio cristão é bastante controversa, sendo que muitos ensinam que já teria se cumprido integralmente[1], ao passo que para outros a última semana ficou para ser cumprida no futuro, como é o nosso entendimento, porém, em nada relacionado com a Doutrina Dispensacionalista.

Não iremos nesse estudo abordar as outras interpretações, mas antes, demonstrar a razão pela qual entendemos que a última semana ficou para ser cumprida no futuro. O problema maior, no meio cristão, é a tradição enraizada em muitos, a qual impede que consiga enxergar além do que tem como verdade absoluta.

No nosso caso, não obstante a posição adotada, não teriamos a menor cerimônia em mudar de entendimento, se demonstrado que estamos equivocado quanto ao que é defendido. Afinal, o céu não é um lugar em que as vagas são limitadas, portanto, não há concorrência, todos que aceitarem Jesus Cristo como Senhor e Salvador são bem-vindos. Portanto, o mais adequado é tentar chegar ao pleno conhecimento da verdade, mesmo que isso implique em abandonar séculos de tradição.

Para melhor compreensão da referida profecia, convém recordar que o pecado entrou no mundo através do Primeiro Adão, e com ele a morte, a qual passou para todos os homens. Contudo, a Bíblia deixa claro que Deus não desistiu da humanidade e ao promover o julgamento daqueles envolvidos na desobediência da ordem que havia dado, já profetizara sobre a vinda de Seu Filho e a vitória que teria sobre Satanás.[2]

Mas para que o Último Adão viesse ao mundo, era necessário que um povo fosse preparado. O povo de Israel, cuja história é conhecida, é o referido pelo Anjo, a princípio no texto da profecia de Daniel. Contudo, quem pecou em Adão não foi, apenas, o povo de Israel, mas toda a humanidade.

O plano de redenção, portanto, precisaria ser levado a todos descendentes de Adão para que através de Jesus Cristo fossem restaurados do pecado e da morte.  Mas a quem era destinada a profecia? Ao povo de Daniel, e quem é esse povo? É o que veremos adiante.

Em relação as setenta semanas, é quase pacífico que se referem-se a semana de anos,  ou seja, setenta vezes sete anos, que perfazem 490 [quatrocentos e noventa anos]. Além do próprio contexto da profecia, que afasta a possibilidade das semanas se referirem a de 07 dias, encontramos nas escrituras a existência de semanas de anos.[3]                                       

A primeira semana tem início, conforme o verso 25, com a ordem para restaurar e edificar Jerusalém. As sete primeiras semanas, ou quarenta e nove anos, são destinados as obras de restauração de Jerusalém. Em relação ao início dessa primeira semana, duas são as datas utilizadas pelos estudiosos, a primeira com base na interpretação do Livro de Esdras, e a segunda no Livro de Neemias, a qual será utilizada. [4]

Como base no texto de Neemias, a primeira semana teria início no vigésimo ano do rei Artaxerxes, o que se deu por volta de 445 a.C.[5]  Contando 69 [sessenta e nove] semanas [7+62] a partir de 445 AC, os quatrocentos e oitenta e três anos findariam entre os anos 26 à 33 DC, quando teria ocorrido a crucificação de Jesus Cristo. 

Não é preocupação nesse estudo realizar os cálculos corretos, até porque Jesus Cristo não morreu com 33 anos, mas, com 37 anos[6], considerando a história dos dois Israéis, o natural e o espiritual, para tanto, sugiro a leitura do estudo bíblico: As Duas Noivas do Cordeiro. 

Jacó [Israel Natural] trabalhou sete anos por amor de Raquel, filha de Labão. Contudo, ao concluir o seu trabalho e cobrar de Labão o pagamento, recebeu no lugar de Raquel a outra filha de nome Lia. Indignado com Labão, este o convence a trabalhar mais sete anos por Raquel. Decorrida a semana de Lia, Jacó recebe Raquel e trabalha mais sete anos para Labão.

Jesus Cristo é o Israel Espiritual e veio ao mundo trabalhar, para Deus, em prol de sua amada Jerusalém. Contudo era necessário que os seus não o recebessem para que os gentios pudessem alcançar a salvação. Assim, ao terminar o seu trabalho, o que ocorreu no final da 69ª semana, aprouve a Deus dar-lhe em primeiro lugar a Igreja, que não era amada. Decorrida a semana da Igreja, Ele receberá a Jerusalém, restando, portanto, os 7 anos finais da septuagésima semana que foi colocado para o futuro.

Linha do tempo

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto. 

Assim, entre o término da 69ª semana e o início da última semana foi aberto um intervalo de tempo, o qual se estende até os nossos dias. A razão para esse intervalo foi esclarecida no início desse estudo, ou seja, o envio do último Adão foi para restaurar a humanidade que caíra com o primeiro homem. Como visto, aprouve a Deus entregar primeiro a Igreja a Seu Filho Jesus Cristo, a que não era amada, conforme relata Paulo em sua Carta aos cristãos que estavam em Roma.[7]

Jacó, como visto, representa o Israel natural, que é o povo referido no início da profecia pelo Anjo. Porém, com a vinda do Messias, houve a quebra da barreira de inimizade entre os povos, sendo substituído pelo derradeiro Israel, representado por Jesus Cristo. Hoje, conforme afirma o Apóstolo Paulo, não há judeu ou gentio, pois, todos foram feitos um através da cruz de Jesus Cristo. 

Mas agora, em Cristo Jesus, vocês, que antes estavam longe, foram aproximados mediante o sangue de Cristo. Pois ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um e destruiu a barreira, o muro de inimizade, anulando em seu corpo a lei dos mandamentos expressa em ordenanças. O objetivo dele era criar em si mesmo, dos dois, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliar com Deus os dois em um corpo, por meio da cruz, pela qual ele destruiu a inimizade. Ele veio e anunciou paz a vocês que estavam longe e paz aos que estavam perto [Efésios 2:13-17] Ver ainda Gálatas 3:28; Colossenses 3:11; e outros textos bíblicos.

Ao receber em primeiro lugar a Igreja, a última semana ficou para ser cumprida no futuro, razão do intervalo de tempo. As histórias de Jacó e Jesus Cristo são incrivelmente semelhantes e esse é o motivo para que a última semana ficasse para um futuro.                     

Na profecia encontramos que após a 69ª semana o Messias seria retirado, e o profeta descreve acontecimentos futuros em relação a morte de Jesus Cristo. O Anjo diz ao Profeta Daniel que o povo de um príncipe que há de vir iria destruir a cidade e o santuário, o que ocorreu por volta do ano 70 d.C.

[...] e o povo do príncipe, que há de virdestruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações. [Daniel 9:26] G.N

O texto apresenta dois futuros em relação ao tempo em que a profecia foi entregue a Daniel. O primeiro é relacionado a destruição de Jerusalém, o que se daria por um  povo de um príncipe que ainda viria. A destruição de Jerusalém ocorreu por volta do ano 70 d.C., através do Império Romano, cujos exércitos foram comandados pelo General Tito. [8]

O Anjo ao retratar a futura destruição de Jerusalém, pelos exércitos de Roma, coloca o príncipe que há de vir para um futuro posterior, ou seja, não seria ele que iria comandar aquela destruição. A razão do texto é para possibilitar que possamos saber de onde viria o anticristo, ou a besta referida no livro de Apocalipse, que encontra equivalente no pequeno chifre referido por Daniel.

Hoje estamos no que pode ser referido como Semana da Igreja, ou seja, o intervalo entre o recebimento desta como esposa, ao invés de Jerusalém, e o início dos sete anos finais, assim como ocorreu no caso da história de Jacó.

E acerca do início da última semana, destacamos o versículo 27,

E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador.   [Daniel 9:27]

O texto não deixa margens para dúvidas de que essa é a septuagésima semana, a qual completa a profecia das setenta semanas. Mas da leitura do próprio texto, verifica-se que o “Ele” descrito no versículo 27, não se trata de Jesus Cristo, uma vez que foi tirado ao final da 69ª Semana. Na realidade se refere ao príncipe que haveria de vir, colocado para um futuro posterior a destruição de Jerusalém, pelos Romanos, em 70 DC.

O mais interessante, entretanto, é que o Jesus Cristo em Mateus 24:15 em diante, faz menção, justamente, a Daniel 9:27, ao dizer que haveria um período de Grande Tribulação qual nunca houve. Ora, situar as palavras de Jesus Cristo ao que ocorreu em Jerusalém 70 DC, não encontra a menor correspondência.

A última semana, portanto, tem início com um acordo a ser formalizado pela Besta, não com Israel, mas com muitos, colocando o mundo em uma aparente paz. O mais interessante, entretanto, é a referência do Profeta Daniel a que na metade da semana, sobre as asas da abominação, viria o assolador.

Na realidade, o assolador referido por Daniel é Satanás, sendo profetizada sua expulsão dos Céus, o que ocorrerá quando do arrebatamento da Igreja.

Esse estudo tem seguimento em “O Sonho de Nabucodonosor”, bem como, quando da análise da primeira metade da última semana da profecia. 

Para a maior glória de DEUS!




[1] https://escatologiacrista.blogspot.com/2008/02/70-semanas-de-daniel.html

[2] Gênesis 3:15

[3] Contarás sete semanas de anos, sete vezes sete anos; de maneira que os dias das sete semanas de anos de serão quarenta e nove anos – Levítico 25:8

[4] Sucedeu, pois, no mês de Nisã, no ano vigésimo do rei Artaxerxes, que estava posto vinho diante dele, e eu peguei o vinho e o dei ao rei; porém eu nunca estivera triste diante dele. [...]  E disse ao rei: Se é do agrado do rei, e se o teu servo é aceito em tua presença, peço-te que me envies a Judá, à cidade dos sepulcros de meus pais, para que eu a reedifique. Então o rei me disse, estando a rainha assentada junto a ele: Quanto durará a tua viagem, e quando voltarás? E aprouve ao rei enviar-me, apontando-lhe eu um certo tempo. Disse mais ao rei: Se ao rei parece bem, dêem-se-me cartas para os governadores dalém do rio, para que me permitam passar até que chegue a Judá. [ Neemias 2:1, 5-7.  

[5] http://bibliadocaminho.com/ocaminho/Tematica/BI/A/BiA99.1.htm

[6]http://g1.globo.com/Noticias/0,,MUL1077890-9982,00-PESQUISADOR+LEVANTA+DUVIDAS+SOBRE+IDADE+DE+JESUS+AO+MORRER.html

http://blogs.diariodonordeste.com.br/diariocientifico/curiosidades/jesus-teria-morrido-no-dia-3-de-abril-do-ano-33-aponta-estudo-geologico/   nota: com 37 anos.

[7] Romanos 9:25

[8] https://br.historyplay.tv/hoje-na-historia/cerco-romano-jerusalem-termina-em-banho-de-sangue

[...] Depois que o exército romano, que jamais se cansaria de matar e de saquear, nada mais achou em que saciar o seu furor, Tito ordenou que a destruíssem, até os  alicerces, com exceção de um pedaço de muro, que está do lado do Ocidente, onde ele tinha determinado construir uma fortaleza.... Tai o fim de Jerusalém, cuja triste sorte só se pode atribuir à raiva daqueles revoltosos que atearam o fogo da guerra [...] JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. Livro 7º, captítulo I, item 501, pg. 688]

 

 

Comentários

Mais acessadas

A FUTURA EXPULSÃO DE SATANÁS DOS CÉUS !

PAPA JOÃO PAULO II, A BESTA QUE EMERGE DO MAR !

666: A MARCA DA BESTA